EMPRESAS DO FUTURO E A BORBOLETIZAÇÃO CULTURAL

 

 

  EMPRESAS DO FUTURO E A BORBOLETIZAÇÃO CULTURAL

                 Por Ana Paula Rocha Pingarilho

Lanço aqui mais uma pequena semente com o intuito de fomentar pensamentos fora dos padrões convencionais, sobre possíveis tendências das empresas do futuro, e de incitar discussões saudáveis que sempre nos fazem crescer.

Mantive-me inspirada para continuar com reflexões sobre o mercado de trabalho do futuro, após leitura dos livros “Relações Líquidas” e “Futuro da Administração”. A partir daí, assumi a minha grande simpatia pelo arquétipo borboleta e criei para minha vida o verbo borboletar e não borboletear.

Eu borboleto /Tu borboletas /ele borboleta /nós borboletamos /vos borboletais/eles borboletam.

Em meu dicionário mental o verbo borboletar significa: Transformações constantes e metamorfose humana causando impactos na sociedade (escolas, empresas e comunidades em geral). Significa ficar bem, me desenvolver, crescer e produzir com felicidade, sem forçar a barra. São mudanças vindo e indo e eu me transmutando junto. Essas são as traduções do verbo borboletar no dicionário da minha visão.

Enquanto borboleto por aí, vou digerindo as novas interações e informações que recebo todos os dias. Percebo a necessidade da sociedade de quase gritar por algo que nos regenere. Tenho também a forte sensação de que, querendo ou não querendo, passaremos por momentos de transformações efetivas a qualquer momento. Arrisco que essas mudanças afetarão diretamente o mundo dos negócios e seu sistema de gerenciamento. Sistema que inicialmente poderá ser encarado como utópico e radical. Refiro-me às “empresas borboletas”, ou seja, empresas transformadoras e transformadas por uma administração sociocrática.

Esclarecendo o que é Sociocracia –“Sociocracia é um sistema no qual as decisões são tomadas considerando-se a opinião dos indivíduos de sua sociedade. É a forma de governo onde a soberania é exercida pela sociedade como um todo, não apenas por algumas de suas partes, na procura da melhor decisão para o conjunto da sociedade, ou no mínimo obtendo o consentimento dos que não concordarem com os pontos de vista da maioria. É fundamental na sociocracia o princípio de auto-organização, assentado nas teorias sistêmicas de inteligência coletiva.”         Fonte:  wikipedia

Se fizermos um quadro comparativo dos modelos de gestão, teremos resumidamente o seguinte: A sociocracia que considera a necessidade de todos; a democracia que considera o desejo da maioria e a autocracia que considera a vontade de um ou poucos. De fato, a que mais se aproxima às exigências de renovação para às empresas do futuro, é sem dúvida a sociocracia.

A metamorfose política-sócio-econômico-cultural é uma consequência natural da evolução de nossa espécie. Além das mudanças serem saudáveis, não podemos continuar com um sentimento coletivo de insatisfação, acreditando que nada vai melhorar. Comodismo mata! Pessimismo destrói!

Além de precisarmos de uma urgente “saída pela tangente”, percebo no ar o desejo generalizado de uma reorganização do mercado de trabalho, das relações profissionais e da atual forma de remuneração. Essa necessidade de reestruturação poderá ser suprida através de um dos principais objetivos da sociocracia que é criação de um ambiente de trabalho saudável e com harmonia. Ao criar a harmonia proposta por esse sistema, que é bem ampla, podemos talvez sonhar com empresas de sucesso, profissionais comprometidos, felizes, realizados e conectados com seus valores pessoais.

O contexto mundial vem sinalizando que as empresas passarão por essas fortes mudanças. Possivelmente, não teremos e nem seremos mais gerentes de ninguém. Chefe será coisa do passado. Todos nós seremos sim responsáveis e co-criadores dos interesses e dos resultados das empresas que estivermos vinculados.

Existem vários estudos que mostram os seguintes prognósticos para as empresas : Relações trabalhistas inteligentes, novo racional na política de cargos e salários, incentivo à criatividade aceitando mais os erros, inovação e planejamento fazendo parte das competências essenciais, tomadas de decisões compartilhadas, valores realmente vivenciados, co-criação junto com co-responsabilidade, mais relações de parcerias, sustentabilidade a toda prova, responsabilidade com auto desenvolvimento, e ambições corporativas mais saudáveis. Essas caracterísicas citadas estão bem alinhadas com muitas das caractéristicas do sistema sociocrático.

Se esse modelo de gestão for implementado com maturidade e multiplicado com sabedoria, aos poucos, poderá se tornar uma nova dinâmica corporativa. Fundamento essa afirmativa listando os benefícios que as empresas teriam ou terão com esse estilo de administração: maior comprometimento dos profissionais, redução de doenças e afastamentos por saúde; estímulo à criatividade, empreendedorismo, inovação e planejamento; facilidade na adaptação, flexibilidade e responsabilidade; identificação e motivação dos seus lideres; potencial lucrativo e sustentabilidade ambiental / social; facilidade para conseguir certificações da ISO; aproximação na relação com cliente e eliminação de perda de tempo.

Outra questão interessante é a possível flexibilidade no cumprimento de uma carga horária rígida. Esse formato de gestão pode eliminar essa obrigatoriedade para áreas estratégicas.

Esse “fenômemo” de gestão tem como prática e fundamentos a equivalência, transparência, eficácia e tomada de decisão compartilhada. Organiza-se linearmente, investe no consenso, valorizando e ouvindo a necessidade de todos os membros. O trabalho e as entregas acontecem com dedicação, seriedade e monitoramento efetivo. Em uma comunidade sociocrática o que rege é o poder determinado ao processo, pois as pessoas são autogerenciadas. Em uma análise imparcial é claramente possível identificar os ganhos para todos os envolvidos – “associados”.

Essa é uma estrutura organizacional que começa a apontar no mundo dos negócios, preenchendo algumas lacunas hoje não atendidas. Acredito que inicialmente, essas empresas surgirão como iniciativas isoladas, voluntárias, como ONGs e comunidades fechadas.

Embora fique encantada e motivada com esse modelo de gestão, tenho dificuldades para compreender na íntegra a prática do dia-a-dia de uma empresa com esse sistema. Pois, confesso que meus paradigmas ainda estão engessados com o modelo de gestão atual, com um mundo corporativo selvagem que sofre com profissionais de ambições negativas e que corrompem as relações de trabalho, de troca, de sustentabilidade, de decisões sérias e de transparência. De qualquer forma, o mais importante é saber que é possível fazer diferente e com alta qualidade. Meu coração tem sede de conhecer e compreender mais os segredos administrativos de sucesso dessas empresas transformadas… “o pulo do gato”.

Para entendermos melhor porque esse cenário é uma tendência apontada por especialistas, como uma real possibilidade para a futura gestão organizacional, sugiro que todos nós estudemos sobre o assunto e analisemos alguns “cases” de empresas fora do Brasil. Esse poderá ser um instigante caminho rumo ao conhecimento sobre a sociocracia.

Mesmo com estudos e demonstrações de tendências, o futuro ainda será construído e, por isso ainda é desconhecido e cheio de especulações. Cabe a cada um de nós movimentar e aplicar em seu “próprio mundo” às mudanças que queremos encontrar em todo o mundo. 

Tenho 6 considerações a fazer antes de encerrar o texto:

  1. A Geração Z se encaixaria perfeitamente em uma Organização Sociocrática.
  2. As outras Gerações precisariam se empenhar e trabalhar a aceitação e o desapego. Acredito que seria ou será necessário um banho de loja comportamental e mental para conseguir expandir a consciência para um futuro mais harmonioso, decente, justo e eficaz. Refiro-me a aulas de verdade, teorias vistas na prática para que todos aprendessem como seria ou será viver nessas novas configurações empresariais.
  3.  Sociocracia, ditadura, democracia… O que será de verdade que vem por ai?? O que será?
  4. O quarto ponto é, não vejo a hora disso tudo começar o quanto antes. “Ando” sonhando com um novo formato e querendo aprender a nele viver em harmonia.
  5. Lembre-se sempre de borboletar!
  6. Importante: Nesse texto não há teor político e muito menos de intenções partidárias.
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O círculo é um símbolo de harmonia. Não há o primeiro e nem o último da fila. Todos estão na condições de igualdade. Todos conseguem se olhar e se escutar! Gosto dessas reflexões que o círculo traz. Ana Paula Rocha Pingarilho

 

                                                                                   

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Ana Paula Rocha Pingarilho

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